segunda-feira, 13 de agosto de 2012

a pele do tempo

(Piet Mondrian. Composition 10, Pier and Ocean,1915)

Nasce de um sopro uma bolha
um nada        e se faz
se forma        e sobe        e voa
e vive e voa
leve
e voa e vive
um momento
o sopro        o vento

A pele a película
a tênue fronteira entre o sopro de dentro e o sopro de fora
a pele envelhece
transparece
a morte iminente

No lento        o instante
o meio instante
o menor instante e o menos
e o mínimo
e o ínfimo        e o mínimo
e o átimo

O tempo de fora já indo
o tempo de dentro cortado em miúdos
a cada miúdo respira
e cada miúdo respira
resiste
reside
no dentro
por dentro
o dentro

Até que a pele se rompe
e o tempo de dentro se espalha pelo tempo de fora
e a bolha que é pele
espelho entre o dentro e o fora se espraia
e a esfera se torna apenas espera
uma pausa
uma síncopa
vida que nunca se encerra

9 comentários:

  1. Encontro perfeito entre fundo e forma. Tempo, tempo, tempo... és tênue como um toque ou um verso de VM!

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    1. Almir! O tempo está do nosso lado!
      Obrigado pelo prestígio!

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  2. Gosto disso, do volume e da textura. O ritmo também me comove, refigura-se como quadro, esse quadro semovente de envelhecer. Gostei muito.
    Lirívia

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    1. Lirívia,
      eu é que gostei muito de seu comentário!
      Um abraço!

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    1. Alberto, meu querido poeta, sabe que esse poema tornou-se especial para mim por sua causa?

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    2. Que bom, Vagner! Costumamos não gostar do que fazemos. Mas este poema é especial mesmo!

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    1. Mariza, querida amiga, sopre para mim seus bons ventos!

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