sábado, 15 de dezembro de 2012

à francesa

Último Olhar
(à francesa)


Um último olhar e já não avistou a casa, o balanço quebrado, tampouco a copa das árvores.

À frente, somente a estrada e, atrás, todas as escolhas, feitas há tanto tempo e tão erradas. E um coração (que nem era o dela) batendo no ritmo monótono das aflições.

E um pecado não cometido.

Sempre ela, à frente. A estrada.

Ela e seu mistério, novo e desconhecido. E aquele vazio e aquela ausência: de antigos medos, de velhas dores.

Sequer uma lembrança, um cheiro, uma saudade, uma cor.

Nada. Nada que a fizesse, uma vez mais, olhar o que restara.



mariza lourenço

3 comentários:

  1. Também gostei muito. Sentimentos pulsando, fortes o bastante para não serem contidos.

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  2. Parabéns! Lindíssimo texto.

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